quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cuidado com o candidato charmoso, carismático.

Como não se deixar enganar,

O pobre contratante caiu na primeira falácia da contratação, o Mito do   Insight Instantâneo, que diz: “Consigo reconhecer um bom candidato só de olhar”. Foi aí que entrou em cena a Síndrome da Pressa Romântica para Julgar. O recrutador se apaixonou; o candidato se mostrava tão radiante e encantador – além de altamente competente – que parecia prescindir de avaliações mais sérias e verificações de referências. Enamorado, o contratante recomendou que o candidato fosse “fisgado” imediatamente; “podemos perdêlo”. As eventuais sugestões em contrário foram vistas como falta de capacidade de julgamento. Ao longo dos séculos, artistas e sábios vêm alertando sobre esse tipo de candidato. Basta lembrar-se de Bizet, de Dame Sans Merci Man de Meredith Wilson. Mesmo assim,os recrutadores iniciantes não percebem. Eis por quê: os candidatos nocivos têm um talento especial para ludibriar recrutadores, fazer com que caiam de amores por eles. Em geral, são personalidades imaturas e narcisistas. Aprendem desde cedo a usar seu poder de manipulação para ganhar um lugar no coração das pessoas.
Eles têm uma capacidade fantástica de eliminar qualquer desconfiança. São indivíduos tão hábeis em ocultar suas falhas, distrair a atenção e passar a culpa adiante que o recrutador, maravilhado, sente que escarafunchar seu passado é não apenas desnecessário, mas também de muito mau gosto – pode provocar a perda da afeição do Amado. Então, o que o recrutador inteligente deve fazer? Pense que, como o lado escondido da Lua, todo candidato tem uma falha escondida. Algumas pessoas chamam isso de fraqueza, Hamlet chamava de grão do defeito, os católicos preferem “pecado original”. Qualquer que seja o nome do fenômeno, sua função é:

a) descobrir essa imperfeição 
b) responder à pergunta: “Essa falha será fatal para desempenhar a função prevista?”.

Para descobrir a falha escondida, é preciso encontrar a “pista vital”. É como se você fosse um detetive examinando um suspeito – embora não haja crime aparente. Você acha que a pessoa é culpada de alguma coisa, mas não sabe do quê. Para desvendar o enigma, realize uma investigação completa, considerando cuidadosamente todas as informações e permanecendo alerta à possibilidade – como no jogo infantil de esconde-esconde – de  que a presa poderá apontar a pista vital. Aplique o que eu chamo de Princípio da Imagem Oposta.

Pergunte-se: “Qual a impressão que este candidato mais se esforça para passar?” e imagine que a pessoa é, na verdade, o oposto disso.

Pode parecer duro demais, mas é puro bom senso,pois, como observa Bassanio de O Mercador de Veneza, “não há vício, de por crasso, que não possa revelar aparência de virtude”. É por isso que atrás do valentão há quase sempre um tímido; que o palhaço esconde um depressivo raivoso; o padre, um pedófilo – e a personalidade encantadora, um gambá malcheiroso. Pergunte tudo, obtenha um histórico de vida completo. Investigue o tipo de criação, a escola, a saúde, as finanças, as atuais circunstâncias de vida, a evolução cronológica da carreira – levando em conta os períodos entre empregos – e,por fim,os objetivos de curto e longo prazo.
Faça um retrato real. Para obter referências, fale com pelo menos três ex-chefes. Cabe ao candidato fornecer os nomes de pessoas adequadas e dispostas a falar francamente. Se ele não fornecê-los, procure outro candidato.
 No caso de contratações importantes, faça uma avaliação psicológica objetiva. A bateria de testes deve incluir instrumentos de projeção, como o teste das sentenças incompletas de Wareham ou o famoso teste de borrões de Rorschach. Esses exames são mais caros, pois exigem interpretação de especialistas. Por outro lado, também são muito mais difíceis de serem manipulados pelo mais sofisticado dos enganadores.

* John Wareham, famoso
headhunter norte-americano, é autor, entre outros, dos livros Grandes Segredos de um Headhunter e Anatomia do Grande Executivo, ambos esgotados.

Como utilizar redes sociais para buscar empregos.

Como utilizar redes sociais para buscar empregos
Leia algumas dicas para saber como se reposicionar no mercado de trabalho utilizando a internet.

Milhares de informações são trocadas por meio de redes sociais e com elas as oportunidades aparecem a todo momento. Uma pesquisa do website Jobvite.com de abril/maio deste ano apontou que 72% das empresas planejam investir mais em recrutamento por meio das redes sociais e 68% já utilizam redes de relacionamento para dar suporte à seleção de candidatos. Por isso, é importante saber aproveitar as chances para alcançar uma oportunidade de carreira.
A pesquisa também fez ranking com websites que são mais consultados para recrutar profissionais. O Linkedin aparece no primeiro lugar da lista com 95%, o Facebook fica em segundo com 59% e o Twitter em terceiro com 42%. Com essas redes de relacionamento é possível ficar conectado diretamente com quem busca profissionais no mercado. Porém, não basta somente aderir aos sites e ficar esperando as empresas e recrutadores entrarem em contato: o profissional deve ser proativo, trocar informações, conhecer pessoas e divulgar conhecimento.
Uma dica é deixar o perfil sempre atualizado e público (para que possa aparecer em outras ferramentas de busca). Solicitar recomendações ou indicações dos contatos da sua rede, principalmente de ex-colegas ou ex-chefes, pode dar credibilidade ao seu perfil. A Career Center, especializada em recursos humanos, preparou algumas dicas para utilização para cada rede social. Leia a seguir.
Linkedin: diversos recrutadores procuram talentos nesse site. Mantenha sempre atualizado o “professional headline”: aqui é possível dar atenção especial para as competências profissionais. É importante utilizar palavras-chave para que se destaque nas buscas. Vale exercitar o lado ‘marketeiro’, por exemplo: troque “Auditor Sênior da Ernest&Young” por “Auditor Interno para uma das 100 empresas listadas na Fortune”.
Facebook: esse website de relacionamento é um dos mais consultados pelas empresas, o que pode ser bom, pois gera maior visibilidade profissional. É possível publicar interesses e conhecimentos, portanto busque aproveitar a sua expertise e fazer conexão a grupos e discussões nos quais possa expressar seus conhecimentos. Mas tome cuidado com as comunidades as quais você pertence e com os comentários que publica. Pode ser que tenha alguma empresa de olho no perfil. Nunca se sabe quem pode fazer uma busca profissional.
Twitter: mesmo sendo um website de micromensagens é possível focar na expertise e nos conhecimentos, informações mais importantes do que pensamentos pontuais de ‘pós-almoço’. É importante fazer um perfil com nome, link, localização e um minicurrículo. Siga pessoas do mercado de atuação de seu interesse ou no qual gostaria de trabalhar. Seja verdadeiro e íntegro, pois há diversas pessoas seguindo seu perfil no twitter.
Blog: essa é uma das ferramentas estratégicas para demonstrar o conhecimento sobre determinado assunto, bem como sentimentos e pensamentos. Se o objetivo é divulgar o blog abertamente, é imprescindível ter uma boa redação, consistência e credibilidade nos textos.
Essas ferramentas permitem que a empresa faça uma preavaliação da pessoa: os selecionadores podem identificar o perfil, os valores e os interesses pessoais dos profissionais, verificando assim se eles são adequados à cultura e à ambientação da organização, antes mesmo de uma entrevista pessoal.
Por meio do perfil de uma pessoa nesses websites, alguns recrutadores conseguem mais assertividade nos processos de seleção, pois ele revela alguns aspectos da personalidade e características pessoais que podem ser decisivos. Portanto não deixe de olhar com atenção as informações que constam no perfil, tire tudo o que for inadequado e deixe prevalecer o bom senso. Saber aproveitar bem e usar as redes sociais a seu favor será uma grande passo para alcançar uma oportunidade de carreira.

Fonte: Career Center
HSM Online
18/09/2009

Revolução no Trabalho

Revolução no trabalho
A era do emprego se encerra. Começa a era da prestação de serviços e dos trabalhadores pluriativos
Fonte: Revista Planeta - Edição 431
Por Luis Pellegrini
Como nossos filhos trabalharão amanhã? Mais do que nunca, esta pergunta ocupa os corações e mentes de todos os pais e mães empenhados na preparação de seus filhos prestes a se lançar na vida profissional. A preocupação é justa: as mudanças que estão ocorrendo no mercado de trabalho no mundo não configuram um panorama de simples transformações, mas sim de uma verdadeira revolução.
O francês Thierry Gaudin, fundador e presidente do Foresight 2100, uma das mais importantes organizações mundiais de prospecção de tendências econômicas e socioculturais, afirma que o modelo de organização do trabalho desenvolvido ao longo do século 20 passará por um processo radical de transformação. Tudo será diferente para as próximas gerações. "Para começar", diz Gaudin, "já agora, em todos os países desenvolvidos, observamos um grande número de pessoas evoluírem para: um retorno ao campo; o trabalho à distância, como a tecnologia permite cada vez mais; organizar a vida a partir de uma renda modesta; desempenhar algum trabalho mas, ao mesmo tempo, cultivar um pomar no fundo do quintal; reformar a casa com suas próprias mãos; viver a partir de pequenos serviços informais; ganhar a vida desempenhando funções e tarefas temporárias".


Essa descrição de um mundo do trabalho completamente diverso do até agora vigente, no qual ainda pontificam advogados, médicos, engenheiros, técnicos em informática, empresários, especialistas em aplicações financeiras e coisas do gênero, é mesmo surpreendente. Nas últimas décadas, toda a cultura ocidental, através da mídia e da educação, tentou nos persuadir de que o objetivo maior da existência era a ocupação de um posto de trabalho no seio de uma multinacional. E agora chega alguém para nos dizer que o futuro não mais pertence aos especialistas das modernas tecnologias, mas sim aos que, além de saber mexer num computador e surfar na internet, são pluriativos e souberam conquistar um bom know-how de ofícios considerados rudimentares, como cultivar a terra, trabalhar a madeira, a pedra, refazer um telhado, instalar painéis solares!
As visões de Gaudin vão ainda mais longe. Na questão dos salários, por exemplo. A prestação de serviços contra uma remuneração, bem como o dinheiro, não estão destinados a desaparecer amanhã. Mas a idéia de um assalariado colocado sob a autoridade de um patrão durante oito horas por dia está destinada a sumir. O modelo ainda vigente de uma semana de trabalho de 44 horas e de um emprego formal está superado. Mas sem essa estrutura organizativa, como financiar os sistemas de assistência social, as aposentadorias, os salários-desemprego, as greves? Gaudin sugere, como um primeiro passo para a solução, a simplificação dos processos administrativos e o estímulo às micro-organizações de menos de dez pessoas. "É necessário parar de acreditar nas informações oficiais que afirmam, por exemplo, que o crescimento cria empregos. Isso é falso. A transformação atual do sistema técnico nos faz passar da civilização industrial para a civilização cognitiva", diz ele.
As prospecções do Foresight 2100 apontam a década entre 2010 e 2020, como o período crucial dessas transformações. Os estudos revelam que estamos encerrando um ciclo: metade da espécie humana vive agora num meio urbano, e a maior parte do consumo energético acontece nas cidades (entre 70 e 80%). Mas já é possível imaginar uma adaptação urbana, ou de zonas rurais urbanizadas, mais autônoma e pluriativa. Muitos cidadãos já são pluriativos. Nesse sentido, Gaudin lembra um ponto crucial: os novos sistemas de comunicação que permitem, por exemplo, o trabalho à distância ainda não produziram os seus efeitos sobre a estruturação de territórios e a repartição entre cidade e campo. Essas conseqüências se farão sentir na próxima década: as pessoas irão fazer novas escolhas quanto à maneira de organizar e equilibrar suas vidas, de desfrutar do seu tempo livre, de fazer a trouxa e partir quando sentir necessidade disso, de pôr termo à corrida desabalada em direção ao sucesso. Essa é uma postura que já se observa num número crescente de pessoas.
Quais são as causas dessa revolução no mundo do trabalho? Em primeiro lugar, segundo as pesquisas, o progresso técnico e a globalização. Hoje, em todas as áreas, produzimos muito mais com menos trabalho. Existem, no entanto, alguns limites: setores como as indústrias têxtil e alimentar, que utilizam matérias-primas "leves", de tratamento mais delicado, são mais refratários à mecanização. Além disso, num curtíssimo tempo, boa parte delas foi transferida para países emergentes como a China e a Índia, onde a mão de obra é menos cara. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: no mundo ocidental, as grandes empresas não param de descartar seus empregados.
A globalização da economia de mercado exportou o modelo ocidental de trabalho para esses e outros países emergentes, os quais exploram hoje sua força de trabalho de maneira quase escravagista, com o objetivo de conquistar uma revanche econômica sobre os países do Ocidente. Mas isso, para os especialistas, não durará muito tempo. Na China, já pode ser verificado um número crescente de manifestações de protesto, em geral reprimidas com extrema violência. O que é certo é que, também nesses países, os ofícios que podem ser mecanizados serão fatalmente desempenhados por robôs. "Se acrescentarmos a tudo isso os efeitos do aquecimento global", explica Gaudin, "que não permitirá que a produção cresça a níveis delirantes, compreenderemos que será necessário prestar muita atenção às conseqüências globais".
As consequências desses fatores sobre o trabalho já podem ser verificadas. O emprego se torna cada vez menos freqüente e mais precário, até mesmo para as profissões mais bem qualificadas. É comum, hoje, consultores profissionais aconselharem a seus clientes: "Procurem trabalho, não procurem emprego." Na maior parte dos países ocidentais, um número cada vez maior de engenheiros trabalha em projetos temporários, que podem durar um, dois ou três anos, e após esse período são demitidos. Então, que faremos das pessoas que vivem essa situação ou que vêem seus parentes vivê-la? Elas dirão: "Atenção, não podemos mais contar com um empregador, é preciso se virar por nossa conta, diversificar nossas possibilidades de entradas financeiras." Essa é a razão pela qual o mundo do trabalho de nossos filhos e netos será aquele desenhado no início deste texto por Thierry Gaudin.
E em relação aos jovens nos quais os pais e a escola incutiram o desejo de segurança, de carreira estável, a convicção de que a melhor e mais segura profissão é a de funcionário público? Gaudin responde que a maior parte deles estará condenada à decepção: "Os humanos são, como quase todos os primatas, animais tribais. No passado, pertencíamos a uma tribo por nascimento; hoje, a empresa tomou o lugar da tribo. Mas como ser fiel a um patrão infiel? O modelo da empresa 'patriarcal' se quebrou." Evidentemente, uma parte da população não conseguirá administrar as exigências de uma postura profissional "diversificada", e necessitará de um sistema de trabalho mais enquadrado.
Felizmente, para esses, os grandes empreendimentos estruturais, em que os Estados continuarão a investir para amenizar as crises, permitirão a colocação de um certo número de pessoas que não conseguem se adaptar à nova economia "leve", ou que, por razões psicológicas, precisam de um emprego para se sentir seguras. Mas para os outros (que serão a maioria), e graças às novas tecnologias, a solução passará pela multiassociação, as conexões múltiplas, outras formas de organização baseadas na amizade, na proximidade física ou, via internet, na proximidade virtual.
A ligação não será mais jurídica, para tornar-se informal. Isso já pode ser observado em várias organizações: o chefe não é um líder à antiga, mas sim um organizador; as pessoas funcionam em "socioanálise", ou seja, juntas elas analisam suficientemente bem uma situação até que cada um dos membros saiba o que deve fazer, sem ser preciso que ordens lhe sejam dadas. As pessoas de uma equipe não mais funcionarão a partir de relações de força ou de influência, e sim pelo esclarecimento.


Nesse novo contexto do mundo do trabalho, como ficará a questão crucial da "realização de si mesmo"? Para Gaudin, há uma formidável ambigüidade no modo como utilizamos a palavra trabalho. Ela implica, ao mesmo tempo, a idéia de esforço, de emprego, e de realização de si. "Todo trabalho, inclusive aquele sobre si mesmo, requer perseverança e disciplina." É preciso trabalho para se desenvolver um talento pessoal, para se praticar uma atividade artística ou esportiva, ou até mesmo para se praticar ioga! Por outro lado, nem todo emprego possibilita uma realização de si mesmo.
No plano da consciência coletiva, uma nova filosofia começa a eclodir. Cada vez mais, ela deverá nortear todas as atividades humanas, inclusive o mundo do trabalho. É a idéia de que a espécie humana é apenas uma entre muitas outras espécies, mas o que a diferencia é a sua posição de guardiã do ecossistema. Esse papel é absolutamente vital, sobretudo agora, quando a natureza é cada vez mais uma "tecnonatureza" em boa parte modelada pela mão do homem.

Quanto à preparação de nossas crianças para esse futuro que já bate às portas, ela começa em casa e na escola. Até agora, como a escola era formatada para preparar as pessoas a empregos que não mais existem, todas as coisas essenciais eram aprendidas fora da escola, no mundo exterior. A nova escola deverá, é claro, proporcionar aos alunos os conhecimentos básicos para eles poderem ter acesso aos resultados da ciência e da cultura. Mas deverá também lhes dar as ferramentas que possibilitarão o desempenho de um mínimo de atividade artística, para que cada um deles possa exprimir sua própria personalidade. Será também necessário ensinar a eles o que é e como funciona a natureza, suas leis, os animais e as plantas, bem como o know-how básico de várias técnicas práticas. Como lembra Gaudin, uma coisa é certa: já hoje, há muito mais gente correndo atrás de um bom padeiro do que de um bom politécnico!