Como não se deixar enganar,
O pobre contratante caiu na primeira falácia da contratação, o Mito do Insight Instantâneo, que diz: “Consigo reconhecer um bom candidato só de olhar”. Foi aí que entrou em cena a Síndrome da Pressa Romântica para Julgar. O recrutador se apaixonou; o candidato se mostrava tão radiante e encantador – além de altamente competente – que parecia prescindir de avaliações mais sérias e verificações de referências. Enamorado, o contratante recomendou que o candidato fosse “fisgado” imediatamente; “podemos perdêlo”. As eventuais sugestões em contrário foram vistas como falta de capacidade de julgamento. Ao longo dos séculos, artistas e sábios vêm alertando sobre esse tipo de candidato. Basta lembrar-se de Bizet, de Dame Sans Merci Man de Meredith Wilson. Mesmo assim,os recrutadores iniciantes não percebem. Eis por quê: os candidatos nocivos têm um talento especial para ludibriar recrutadores, fazer com que caiam de amores por eles. Em geral, são personalidades imaturas e narcisistas. Aprendem desde cedo a usar seu poder de manipulação para ganhar um lugar no coração das pessoas.
Eles têm uma capacidade fantástica de eliminar qualquer desconfiança. São indivíduos tão hábeis em ocultar suas falhas, distrair a atenção e passar a culpa adiante que o recrutador, maravilhado, sente que escarafunchar seu passado é não apenas desnecessário, mas também de muito mau gosto – pode provocar a perda da afeição do Amado. Então, o que o recrutador inteligente deve fazer? Pense que, como o lado escondido da Lua, todo candidato tem uma falha escondida. Algumas pessoas chamam isso de fraqueza, Hamlet chamava de grão do defeito, os católicos preferem “pecado original”. Qualquer que seja o nome do fenômeno, sua função é:
Eles têm uma capacidade fantástica de eliminar qualquer desconfiança. São indivíduos tão hábeis em ocultar suas falhas, distrair a atenção e passar a culpa adiante que o recrutador, maravilhado, sente que escarafunchar seu passado é não apenas desnecessário, mas também de muito mau gosto – pode provocar a perda da afeição do Amado. Então, o que o recrutador inteligente deve fazer? Pense que, como o lado escondido da Lua, todo candidato tem uma falha escondida. Algumas pessoas chamam isso de fraqueza, Hamlet chamava de grão do defeito, os católicos preferem “pecado original”. Qualquer que seja o nome do fenômeno, sua função é:
a) descobrir essa imperfeição
b) responder à pergunta: “Essa falha será fatal para desempenhar a função prevista?”.
Para descobrir a falha escondida, é preciso encontrar a “pista vital”. É como se você fosse um detetive examinando um suspeito – embora não haja crime aparente. Você acha que a pessoa é culpada de alguma coisa, mas não sabe do quê. Para desvendar o enigma, realize uma investigação completa, considerando cuidadosamente todas as informações e permanecendo alerta à possibilidade – como no jogo infantil de esconde-esconde – de que a presa poderá apontar a pista vital. Aplique o que eu chamo de Princípio da Imagem Oposta.
Pergunte-se: “Qual a impressão que este candidato mais se esforça para passar?” e imagine que a pessoa é, na verdade, o oposto disso.
Pode parecer duro demais, mas é puro bom senso,pois, como observa Bassanio de O Mercador de Veneza, “não há vício, de por crasso, que não possa revelar aparência de virtude”. É por isso que atrás do valentão há quase sempre um tímido; que o palhaço esconde um depressivo raivoso; o padre, um pedófilo – e a personalidade encantadora, um gambá malcheiroso. Pergunte tudo, obtenha um histórico de vida completo. Investigue o tipo de criação, a escola, a saúde, as finanças, as atuais circunstâncias de vida, a evolução cronológica da carreira – levando em conta os períodos entre empregos – e,por fim,os objetivos de curto e longo prazo.
Faça um retrato real. Para obter referências, fale com pelo menos três ex-chefes. Cabe ao candidato fornecer os nomes de pessoas adequadas e dispostas a falar francamente. Se ele não fornecê-los, procure outro candidato.
No caso de contratações importantes, faça uma avaliação psicológica objetiva. A bateria de testes deve incluir instrumentos de projeção, como o teste das sentenças incompletas de Wareham ou o famoso teste de borrões de Rorschach. Esses exames são mais caros, pois exigem interpretação de especialistas. Por outro lado, também são muito mais difíceis de serem manipulados pelo mais sofisticado dos enganadores.
* John Wareham, famoso
headhunter norte-americano, é autor, entre outros, dos livros Grandes Segredos de um Headhunter e Anatomia do Grande Executivo, ambos esgotados.
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